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Desvendando o Butão

Todo ano eu e o Marcos tentamos viajar o máximo que conseguimos dentro daquilo que acreditamos serem boas viagens e dentro do tempo que temos.

Além disso, nosso foco é sempre equilibrar entre destinos que eu tenho preferência em conhecer com os dele também – no final das contas queremos ir à todos! Não somos um casal que tem muito foco para escolher viagens haha.

Butão nasceu originariamente de uma preferência do Marcos, as minhas foram Grécia e Maldivas nesse ano. Butão… Aquele país metido no meio de vários outros, minúsculo, com informações interessantes na internet (oi, como assim não pode entrar no país sem um guia?) e bem curiosas: só 10 pilotos estão autorizados a pousar e decolar do único aeroporto internacional do país, que tem fama de ser um dos mais perigosos do mundo (eu fiquei bem tensa, morro de medo de voar!).

Na indecisão sobre onde passar o Natal, vimos no Butão aquele refúgio que estávamos procurando: o ano tinha sido bem estressante para ambos e respirar natureza era o que queríamos. Pausa aqui: o país tem 70% do seu território coberto por florestas e tem leis que forçam a que essa porcentagem não seja menor que 60% a qualquer tempo. No final, eles entendem que proteger o meio ambiente é tão vital quanto a vida humana (acorda mundo! Tem um TED Talk maravilhoso com o primeiro ministro do Butão explicando a filosofia em ser “carbono negativo”).

Apesar das informações de planejamento terem soado um desafio (que eu amei concluir), NADA é tão gratificante quanto pisar os pés na terra que é dita “a mais feliz do mundo”. O país tem lá sim seus problemas e apesar de seus líderes estarem buscando uma modernização, o país também enfrenta desafios, porém nada que tenha ofuscado a paz que reina naquele lugar e a habilidade de sentir que o peso nas costas (qualquer que ele seja) tenha sido levado pelo vento fresco e puro dos Himalaias.

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Em um dos monastérios do Butão.

Como Planejar

Mesmo que o esquema seja diferente das viagens mais comuns que você possa fazer, acaba sendo mais eficiente e organizado.

Para quem nunca ouviu falar, você só consegue viajar para o Butão com UMA companhia aérea, a Drukair que voa desde a Índia, Tailândia, Singapura, Nepal e Bangladesh. E você só consegue visto para viajar através de agências de turismo certificadas pelo reino do Butão (não tem essa de e-visa, visa on arrival ou ir pedir visto na embaixada deles).

Desde 1974, o Butão abriu suas portas para o mundo nas mãos do Rei Jigme Singye (pai do atual rei do Butão). O país não tinha muitos vínculos com o exterior a não ser para o comércio – eles dependem demais dos país vizinhos para comercializar. Toda pessoa que quiser entrar no Butão tem que ter um guia acompanhando o tempo todo, dessa forma eles não só garantem que haja controle do turismo (funciona para países pequenos como esses), mas também geram empregos para a população – um dos desafios do Butão. Do lado do turista, Butão não é um país que role fazer aquele turismo popular: não tem transporte público, restaurantes são mega escassos (muitos hotéis oferecem pensão completa e eu super recomendo),  e a maior parte do atrativo turístico fica em lugares bem difíceis de chegar. Também tem MUITA coisa que você precisa daquele contexto de uma pessoa local para entender porque raios tem um templo na encosta de um penhasco a 3200m de altitude.

Resumão: não tem condições de apreciar a totalidade do Butão no mesmo esquema que você percorre qualquer capital européia.

O primeiro passo é pensar nas datas. Butão é um país que dá para ser visitado o ano todo, mas eu evitaria alto verão e alto inverno. Isso porque no alto verão vão haver muitos turistas e no alto inverno pode nevar e a sua experiência pode mudar bastante (também não acho que pegar as várias estradas sinuosas e curvas no Butão com neve seja tão divertido!) – nós fomos no começo do inverno e nosso carro ficou parado numa estrada deslizando no gelo. Durante a primavera rolam também vários festivais e é a época preferida dos locais.

Uma vez decidida a data, contate uma das agências locais e comece o planejamento de acordo com a quantidade de dias que tiver. A partir disso reserve os voos, caso você saia do Brasil vai ser uma jornada, mas faz parte da experiência.

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O que encontramos pelo caminho até o hike para o famoso Tiger’s Nest.

Quanto Tempo Ficar

Não vale a pena ficar menos de 5 dias. Eu ainda acho que 5 pode ser muito corrido, especialmente se você precisa de tempo para se acostumar ao fuso horário e a mudança de altitude. Nós ficamos 8 dias e foi incrível: conseguimos fazer tudo o que queríamos, os pontos principais ainda com tempo para brincar de arco e flecha, o esporte nacional, e tomar chá curtindo a brisa dos Himalaias.

O Que Fazer

Geralmente as ideas de passeio virão da agência que você for contratar e você certamente pode palpitar dizendo o que gosta ou não de fazer, mas leve em conta que vão haver muitos templos, hikes e monastérios. Eu recomendo muito, de novo, fazer uma aula de arco e flecha e visitar um monastério menor no qual você possa interagir com os monges. A última foi uma das experiência mais enriquecedoras da viagem para nós.

Uma vez fechado o roteiro, a agência vai entrar com pedido para o visto já com o nome do seu guia incluso :). O visto vai vir com a permissão para visitar os lugares citados no roteiro. Parece mentira, mas há check points no Butão nos quais policiais controlam o fluxo de turistas e pedem seu visto para checagem.

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Monge estudando no monastério da vila de Talos, em Punakha Valley.

Onde Ficar

São 5 tipos de hospedagem no Butão: hotel, Farm-stays (geralmente em vilas e cidades mais afastadas); Home-stays (casas de locais); Resorts/ Hotéis (que vão de 3 a 5 estrelas) e Guesthouses (uma pegada mais albergue). E como sempre, depende do seu budget. A não ser que você fique em um hotel 5 estrelas espere simplicidade (e muita!) especialmente se você for viajar por outras cidades que não sejam as mais conhecidas.

Dicas Práticas

  • Leve dólares americanos para trocar por moeda local lá. Caso você feche pacote com pensão completa nem precisa trocar muito porque não tem shopping para fazer.
  • Leve roupas confortáveis. Deixe o salto em casa, a maquiagem carregada, aquele brinco fofo que você não quer que estrague, aquele sapato apertado, aquela camisa social de manga comprida. Butão é um país MEGA simples e provavelmente seu hotel vai ser o lugar de maior requinte que você vai pisar, mas vai por mim: o dress code é daqueles “Timberland/ The North Face-montanhista-academia-to mega confortável”.
  • A viagem toda pode ser planejada no site oficial de turismo do Butão: www.bhutan.travel. Lá tem o beabá de como fazer o visto, todos os agentes de turismo que operam no país e todos os detalhes importantes que você precisa saber para a sua viagem. Caso você opte por ficar em algum hotel 5 estrelas, é só contatá-los direto que geralmente eles fazem tudo para você porque eles também operam como agentes de turismo.
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Luz de tarde de inverno em um dos hikes que fizemos pelo país.

Porque Você Deve Ir

Butão é um destino remoto e não muito popular que consegue controlar o fluxo do turismo e ainda preservar ruínas ancestrais no mesmo passo que tenta modernizar o país controlando o meio ambiente. Só isso já deveria bastar para querer visitar e entender como tudo isso funciona – quando nos nossos próprios países isso foge de controle.

Mas Butão é mais. É cheirinho de verde, é um horizonte totalmente virgem zero desmatado e puro, é silêncio (de verdade), é entender o budismo, é esvaziar a mente, é comer vegetais e legumes orgânicos (sim lá tudo é orgânico), é viver leve e devagar. Aliás, é viver o presente.

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Estudante de monge lendo livro em inglês.

Siga: @amandamormito.

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