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A Paz Interior no Butão

Tudo bem se você teve que abrir o Google Maps para entender onde o Butão fica no mundo. Tudo bem também se você nunca ouviu falar no Butão. Tudo bem também se você não se interessa por países remotos desse jeito. Mas hoje eu vim falar de como é importante fazer esse tipo de viagem.

Sempre fui uma pessoa que quer viajar o tempo todo! Antes de vir pra Ásia as viagens ficavam pelo lado Western do mundo: Europa, EUA, no máximo um Caribe, praia no Nordeste e por aí vai. Não que eu não me interessasse pela Ásia, mas soava TÃO longe, TÃO difícil de planejar, TÃO bagunçado que sempre ficava para trás. No final das contas nenhuma viagem que eu fiz por esses lugares que citei chega perto do que você pode vivenciar por aqui. E note, não estou dizendo que Ásia é melhor, é apenas uma constatação que pra conhecer o mundo, Ásia precisa estar na sua lista.

E eu acho que só tem um jeito de descrever essa porção do mundo: é muito louca.

Primeiro que Ásia é a metade do mundo – só aí parece até injusto englobar esses vários países MUITO diferentes uns dos outros em uma palavra só.

Segundo que, de novo, nenhum país se parece com o outro – até dá para achar semelhanças entre Japão/ Coréia do Sul; Hong Kong/ China/ Taiwan; Indonésia/ Tailândia e por aí vai, mas ainda assim não funciona do mesmo jeito que uma comparação Itália/ Hungria – pelo menos não no meu ponto de vista.

Ásia por si já é um tapa na cara de tudo aquilo que você achava que conhecia. É resetar tua experiência no MUNDO. É entender que ocidentais somos a minoria e sair da bolha para ficar de cara a cara com o que você não consegue ver se viajar até o país mais ao leste da Europa.

Falei tudo isso porque uma vez que você conhece ali os principais personagens no palco do turismo na Ásia (Japão, Hong Kong, Tailândia, Indonésia, etc) existe uma porção de países escondidos que camuflam na imensidade desse continente. Butão é um deles.

E aí você se pergunta: “Mas porque eu conheceria o Butão se nunca fui para Londres ou nem mesmo para Nova Iorque?”. E tá tudo bem! E de verdade, talvez você realmente precise mesmo conhecer esses destinos mais clássicos para querer explorar o diferente. Comigo foi assim! E eu acho que ser viajante é igual a vinho porque vai ficando melhor com o tempo e também é como quase tudo na vida: quanto mais você pratica, melhor fica. Talvez esse post vá ficar guardado no seus favoritos para ser usado daqui uns anos e não importa :).

Butão foi especial para nós por uma série de momentos e acho que se colocar em fotos eles ficam mais evidentes 🙂 ps.: leia as legendas!

Os Hikings e Suas Paisagens Naturais

Butão é um lugar no qual é muito difícil aproveitar tudo se você não curte caminhar. A maior parte dos hikings por lá são de fácil acesso e incluem paisagens incríveis. Como já disse aqui, o país tem uma preocupação imensa com o meio ambiente, o que faz com que o grande diferencial deles seja a natureza. Observar cada cantinho deles, nos fez reafirmar a importância se estar próximos a natureza, tão imensa e tão simples ao mesmo tempo.

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Voltando para o nosso hotel, o COMO Uma Paro caminhando – eu adoro a cor quente dessas folhas em pleno inverno. A cidade de Paro é cheia de cachorros e um deles nos acompanhou pelos 4km de caminhada até o nosso hotel. Fofo. Durante o caminho nosso guia comentou que nessa trilha tem urso durante a primavera, eu quis correr na hora, mas tentei me controlar hehe.
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A oportunidade de caminhar pelo Butão te faz ver o dia a dia das pessoas e a simplicidade que reina por lá. Nesse hike aprendemos que a colheita feita nas fazendas é feita em revezamento com os vizinhos, assim ninguém precisa contratar ninguém para colher o que a terra traz porque uma família ajuda a outra na mão de obra.
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Tiger’s Nest, o templo mais conhecido do Butão é também um dos hikes mais difíceis por lá. O caminho é parte da recompensa, além de chegar no ápice dessa montanha, passear pelos vários templos que lá em cima existem é uma experiência fantástica. Quando você está na base acha que chegar no topo é missão impossível, mas há tanto pra ver no caminho! Eu adorei que as pessoas também trocam palavras de suporte durante o trajeto, trouxe uma sensação tão boa. 
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Uma das pequenas vilas que visitamos, habitada por 700 pessoas no pé de um monastério onde aspirantes à monges residem e suas preces são ouvidas enquanto o sol está no céu e as crianças correm com vira latas nessa terra onde o solo é verde e o vento parece mágica. Aqui parece que o tempo pára. Não lembra um quadro essa foto?
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O vale de Phunaka durante um atardecer. Quase dá para sentir o cheirinho do verde.

As Pessoas

Sempre que falavam que o povo do Butão é o mais feliz do mundo eu ficava com uma pulga atrás da orelha. Lá tem a chamada “Felicidade Interna Bruta” que basicamente substitui o PIB. Imagina um país que faz tudo pensando na felicidade das pessoas? Parece utopia, mas é assim que o governo do Butão toma medidas de abertura comercial e faz planejamento econômico, na teoria se algo é bom para a economia mas não traz felicidade para as pessoas, não deveria ser implementado.

Na realidade a minha percepção de felicidade do Butão veio através das pessoas que conhecemos por lá e até mesmo pelas pessoas que apenas vimos. Parte dessa felicidade vem do budismo, essa capacidade de viver o momento presente que é tão básica, mas tão difícil de atingir. Logo depois seguida pela simplicidade do lugar que vem acompanhada de zero ostentação e preocupação com a vida alheia (aliás isso existe, mas só se for pra ajudar um ao outro!).  No final do dia, é a sensação de pertencer a comunidade que cria essa harmonia, o contato com a natureza que traz paz e a capacidade de viver o momento presente que traz felicidade.

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Um grupo de crianças brincando com cachorros em uma rua residencial de Paro.
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A caminho de um dos templos de Phunaka, encontramos a amiga do nosso guia. Ela tinha se divorciado um dia antes dessa foto. Butão é um país mais conservador no quesito família e quando nosso guia comentou que ela havia se separado ele tirou o sorriso que tinha do rosto e colocou uma cara séria. Não que separações não sejam dolorosas, mas a foto acho que traduz o que ela estava sentindo no momento.
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Um grupo de meninas me parou para cantar uma canção que elas tinham acabado de aprender na escola. Eu amo tanto essa foto! A quantidade de coisas acontecendo naquele momento vai ficar pra sempre na minha memória.
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Nosso passeio a um dos monastérios do Butão foi o momento mais especial da viagem para mim. Aqui dois aspirantes a monges estudam inglês. Muitos deles saem de casa muito cedo para frequentarem as escolas de monge, apesar da inscrição ser voluntária a partir dos 7 anos de idade, famílias podem enviar seus filhos antes disso e depois de um tempo eles podem escolher se querem continuar os estudos ou não. Para muitas famílias, porém, não há escolha. Muitos deles enviam os filhos ao monastérios para fornecer uma vida melhor do que eles teriam em casa, a maior parte deles vem de casas carentes.
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A fé é algo que existe em basicamente todas as pessoas do Butão. Na foto uma menina ouvindo as preces do templo que estava atrás dela durante uma comemoração local. Eu amo o jeito que ela franze a sobrancelha e parece tão concentrada em seus pensamentos.
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Monge criança tomando sorvete enquanto observava as pessoas cruzando uma ponte suspensa que conecta uma vila a outra.
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Estudantes agradecendo os chinelos que ganharam na doação de final de ano que participamos.

A Capacidade de Sentir

Último, mas não menos importante. Butão foi uma viagem imensamente especial para nós simplesmente porque pudemos nos desconectar de tudo, fazer cada passeio com calma e aproveitar o conjunto total da obra que não só incluía viajar, mas a capacidade de se sentir parte daquele lugar e de todos aqueles momentos.

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